O mercado imobiliário de Feira de Santana pode estar entrando em uma nova fase. Historicamente marcada por condomínios horizontais, a cidade começa a apresentar sinais mais claros de verticalização — especialmente em bairros de expansão urbana como o SIM e o Papagaio.
Dados levantados pela Metro Square mostram que, pela primeira vez em quase uma década, o SIM registrou mais lançamentos de apartamentos do que condomínios de casas.
Um bairro tradicionalmente horizontal
Feira de Santana sempre teve um perfil urbano predominantemente horizontal. Ao longo das últimas décadas, o crescimento da cidade foi impulsionado principalmente por loteamentos, conjuntos habitacionais e condomínios de casas, consolidando uma cultura fortemente ligada ao imóvel horizontal.
Nos últimos anos, porém, esse cenário começou a mudar. Bairros tradicionais como Santa Mônica e Kalilândia passaram por um processo gradual de verticalização, com o aumento da presença de edifícios residenciais e empreendimentos multifamiliares.
Agora, esse movimento parece alcançar também o SIM — uma das regiões mais valorizadas e desejadas da cidade.
O que mostram os números
Historicamente, o SIM sempre apresentou predominância absoluta de condomínios horizontais. A única exceção havia sido 2016, considerado um ponto fora da curva, quando ocorreram dois lançamentos de apartamentos e um de casas.
Em 2024, o mercado já começou a demonstrar sinais de mudança, registrando empate entre os formatos: quatro lançamentos de apartamentos e quatro de casas. Já em 2025, o cenário mudou de vez. Foram quatro lançamentos de apartamentos contra três de condomínios de casas, consolidando pela primeira vez uma predominância dos empreendimentos verticais na região.
Os números de 2026, ao menos até o momento, seguem apontando na mesma direção: um lançamento de apartamento e nenhum de casas.

Uma transformação cultural
O fenômeno chama atenção porque o perfil tradicional do comprador do SIM sempre esteve fortemente associado ao desejo de morar em condomínio de casas. Durante muitos anos, essa praticamente foi a identidade imobiliária da região.
Mas alguns fatores vêm impulsionando uma transformação gradual nesse comportamento.
Um dos principais é a escassez crescente de grandes terrenos disponíveis para novos condomínios horizontais. Com a expansão acelerada da região nos últimos anos, áreas amplas e bem localizadas ficaram mais raras — e consequentemente mais caras.
Isso torna os empreendimentos verticais mais viáveis economicamente para construtoras e incorporadoras. Além disso, o aumento do custo da construção civil, a necessidade de maior aproveitamento do solo urbano e a mudança no perfil de parte dos compradores ajudam a explicar o avanço dos apartamentos na região.
Hoje, parte dos consumidores passou a priorizar imóveis com menor custo de manutenção, maior praticidade no dia a dia e ticket de entrada mais acessível. Nesse contexto, os condomínios verticais ganharam força por conseguirem reunir localização, estrutura de lazer e segurança em projetos geralmente mais acessíveis do que condomínios horizontais equivalentes.
O mesmo movimento acontece no Papagaio
Embora o SIM chame mais atenção pelo histórico fortemente horizontal, o crescimento dos apartamentos também vem acontecendo no Papagaio.
Na região, o mercado já apresenta há alguns anos um cenário mais equilibrado entre condomínios de casas e empreendimentos verticais. Ainda assim, os números recentes mostram uma predominância clara dos apartamentos. Desde 2023, os lançamentos verticais passaram a superar os horizontais no bairro. O movimento ganhou força em 2024, quando foram lançados seis empreendimentos de apartamentos contra apenas dois de casas. Em 2025, a predominância vertical continuou, e os números de 2026 seguem apontando na mesma direção

O comportamento dos dados sugere que Feira de Santana pode estar entrando em uma nova fase de desenvolvimento imobiliário, marcada por uma verticalização mais intensa em bairros de expansão urbana.
Novas construtoras ajudam a acelerar o movimento
Outro fator importante para entender essa transformação é o fortalecimento de construtoras com foco quase exclusivo em empreendimentos verticais.
Empresas como a Pedra Construtora vêm ampliando a presença de projetos verticais na cidade, ajudando a consolidar o crescimento da oferta de apartamentos em regiões estratégicas de Feira de Santana.
Esse movimento influencia diretamente o perfil dos lançamentos e contribui para acelerar a transformação do mercado imobiliário local.
O que esperar dos próximos anos?
Ainda é cedo para afirmar que os condomínios de casas perderão protagonismo no SIM. O perfil cultural da região continua fortemente ligado aos empreendimentos horizontais, principalmente nos segmentos de médio e alto padrão.
Por outro lado, os números mais recentes mostram uma tendência clara de crescimento dos apartamentos, especialmente em áreas onde o custo e a disponibilidade de terrenos começam a se tornar fatores limitantes.
Se o ritmo atual continuar, os próximos anos podem consolidar uma nova configuração imobiliária para a região — mais verticalizada, mais adensada e com produtos cada vez mais diversificados.
Mais do que uma mudança pontual, o fenômeno pode representar o início de uma transformação estrutural no mercado imobiliário de Feira de Santana.